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Manifesto Alpista

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Por Monille Myers

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15 páginas
> 10/10/2901 > Luvemã - Plato Foundry

As estrelas são belas, e o espaço é vasto. As raças que permeiam o cosmos são diversas, formas de vida distintas e muitas vezes únicas. As culturas são ricas e se desenvolvem de formas novas e imprevisíveis, não são uma matemática exata por conta do fator consciência, que é por si uma força de criatividade imparável. Mas hoje, qual é o seu papel como cosmonauta? Quais são suas responsabilidades? Quais cuidados deve tomar? Este manifesto da Ação Libertadora Planetária busca aquecer esta discussão, provocar este questionamento e apresentar argumentação concreta e material sobre o dever do viajante espacial.

De todas as raças que hoje possuem a chamada consciência, talvez a forma de vida mais exótica seja a Novakid: seres formados de gases bioluminescentes, com suas marcas únicas, e os que hoje mais desafiam os estudos da medicina. Entender o metabolismo que os leva a sentir fome, sede, dormir ou adoecer é um mistério; algo, porém, não está em discussão: eles de fato adoecem. Mesmo que haja seres diversos em sua bioestrutura, nenhum deles está imune a patógenos. Cada cultura e cada raça terá a própria forma de evoluir a cura de suas enfermidades, sua própria medicina, sendo ela rudimentar ou não. Esta fará parte de sua cultura, assim como valores, preços, o comércio ou distribuição desta cura e a evolução da mesma. Tudo isto é parte da história daquele povoado, naquele tempo, naquele espaço.

O que é um A.L.P.ista? O A.L.P.ista, ou Alpista, é aquele que entende as atuais situações materiais da realidade, que simpatiza e desempenha um papel consciente sobre as discussões postas neste manifesto. Mais do que isso, é aquele que toma a decisão de seguir a organização A.L.P.A.C.A., Ação Libertadora Planetária por Auxílio à Cultura Acometida. É aquele que entende que hoje, com o modo de exploração que está posto, as culturas todas estão, sim, sendo acometidas, não somente por organizações colossais como a Federação, a USCM, ou a muito pior delas, o Império, mas pela visão moralista onde é enxergado apenas que tal organização representa o bem ou o mal, o certo ou o errado, que permite a exploração espacial desorganizada até mesmo pelas naves pequenas e independentes que vagam nos cosmos.

As culturas estão sendo acometidas pelo modo de navegação em vigência hoje no universo, como o Polarizado-Moralista, identificado em naves que vagam por conta própria, onde toda decisão de descer ou não, interagir ou não, intervir ou não, parte de uma decisão meramente moral. Também pelo modo de navegação Exploratório-Colonizador, modo, por exemplo, imposto pela Federação, onde, tomados pela visão de serem mais evoluídos, descem para extração e futura comercialização ou utilização para expansão do seu sistema. Ou pelo asqueroso modo de navegação Imperialista-Genocida, aquele que invade planetas independentemente do local, baseado em seu recurso, e subjuga as culturas, explorando a mão de obra dos nativos, roubando o que há de valor e assassinando todos que discordarem de seu modo; e, em culturas rebeldes, exterminando completamente a vida consciente. Todos estes dados e impostos modos de navegação em nosso universo acometem culturas por todos os sistemas estelares, pois não se colocam na perspectiva do povo nativo, e por não colocarem coisas imprescindíveis, como os patógenos alienígenas, em perspectiva.

Veja, existem no universo dois tipos de planetas que são os sintomas mais claros do problema que trago à discussão. Estes, que encontrei durante minha vida de cosmonauta, e que, se você tem um sistema de viagem avançada em sua nave, basta procurar em seu mapa atualizado e visitá-los, são chamados de Estéril e, o mais chocante, Devastado. Ambos demonstram o problema dito antes. É possível facilmente constatar, visitando-os, que ambos podem ter a atmosfera respirável, o que, por si, não faz diferença quando hoje temos tecnologias para viver em atmosferas mais hostis, mas escancaram a verdade que venho por meio deste lhes mostrar e colocar em discussão. Vou aproveitar para explicar o cerne da questão já apresentando a nossa proposta de solução, o modo de navegação Soberano-Libertário.

O modo de navegação que propomos é incapaz de gerar mais planetas como o Estéril e o Devastado, que são doenças dos atuais modos de navegação, pois nele, por meio de método, organização e tecnologia, impede-se que patógenos interestelares, como infecções virais com anos ou até milênios de evolução adaptativa, absolutamente mortais para a vida, mas não para os viajantes portadores de um sistema imunológico herdado geneticamente e reforçado também pela medicina avançada e vacinação, sejam espalhados. Os corpos dos viajantes carregam patógenos que não lhes oferecem problemas de saúde, mas que, para nativos de um planeta, são completamente mortais. Planetas em situação estéril nada mais são que planetas onde algum viajante outrora pisou, transmitindo patógenos à vida do planeta e extinguindo parte das raças, causando estrago suficiente para que as chances de vida próspera existir acabem.

Já o chamado Devastado é a clara interferência cultural de outras civilizações em um planeta. Veja, se uma sociedade explora sua terra até deixar a atmosfera poluída e o solo tão cheio de lixo que a vida da própria espécie já não suporte o ambiente, esta não será capaz de alcançar a paz, a consciência ambiental em seu modo de produção respectivo e, logo, a exploração espacial. No entanto, há em sistemas estelares distantes as mesmas estruturas de engenharia, a mesma poluição, os mesmos tipos de lixo e assim por diante; coincidências que desafiam a lógica até do mais tolo estudioso. Isso claramente parte de um projeto de exploração expandido por pessoas que viajam exportando este modo de produção autodestrutivo. E, se repararem, não foram os nativos, pois ossos carbonizados podem ser encontrados embaixo de pilhas e pilhas de lixo. Isso é sintoma de uma cultura contaminada com uma lógica de exploração despreocupada, pois os senhores de outrora nestes planetas sabiam que tinham a possibilidade de empregar este modo de produção insustentável, pois eles teriam condições de deixar o planeta devastado para trás, porém sua população não.

Em um modo de navegação organizado e consciente, este tipo de situação seria impossível, pois a população nativa jamais chegaria a este estado à custa da própria sobrevivência. E mesmo que eventualmente, contra a lógica e a informação propagada por um Alpista, esta civilização destrutiva surgisse, jamais conseguiria destruir outro planeta sem mudar essencialmente seu modo de agir, já que, no modo de navegação Soberano-Libertário, não teria permissão para descer descuidadamente em outro planeta, impondo sua cultura destrutiva a nativos que poderiam criar uma forma nova e mais eficaz de modo de produção, levando assim à perpetuação da cultura em viagens espaciais.

Todos temos também nossas crenças. Um Alpista, porém, tem seu labor agnóstico, ou seja, desprovido de religiões que impeçam o agir consciente. Muitas crenças, como a Cultura do Vagabundo no meu povo, os nômades tieflings, ou os Stargazers e seu culto por Kluex, caminham diretamente e imprescindivelmente contra um Alpista. Portanto, estas crenças devem e serão combatidas em absoluto pelos Alpistas. Note, porém, que nossa luta jamais será contra aquele que crê, mas contra a organização e expansão institucional destas crenças, pois estas são prejudiciais para a vida e a sustentabilidade do universo.

Ditos todos estes conceitos, alguns devem se indagar se este modo de navegação alpista não seria um entrave na evolução "natural" das coisas. Convido estes que já se apresentarem interessados e simpatizantes a aprofundar a leitura em outras das obras Monillianas, ou de qualquer outro intelectual Alpista que publicar em nome da organização. O método Alpista se prova, em teoria, mais proveitoso para a evolução e, claro, com muito menos sofrimento das almas que gritam isoladas em planetas distantes.

Vamos para algumas perguntas frequentes? <Alpistas são comunistas?> Não, Alpismo defende a não sobreposição de uma raça pela outra e um modo de navegação mais consciente. O modo de produção defendido por cada Alpista será diferente; eu, no entanto, sou comunista. <Alpistas são pacifistas?> Não, Alpismo se opõe a organizações colossais, portanto devemos usar da violência do oprimido para frear a violência do opressor, que se faz sempre maior, sempre que necessário. Não significa que todos somos guerreiros ou violentos; eu, por exemplo, sou uma médica.

<Quais são os lemas e ou gritos de guerra defendidos pelo alpismo?> 1 - Medicina e sabedoria são as únicas coisas que não fazem mal, então divida e espalhe. 2 - Com cautela e empatia se evita muito sofrimento, questione, entenda, mude de perspectiva e questione novamente. 3 - Se ninguém lutar pelas útopias, o que vai disputar nossa realidade?

Alpismo é uma palavra de ORDEM urgente e necessária, um grito de guerra destinado a ecoar pelo universo, para que o choro de desespero dos oprimidos, jamais vistos, ouça finalmente uma resposta. E eles irão ouvir.

Obrigada pela leitura, cuide-se e leia as obras Monillianas. X = X3X ~ Monille Myers

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